O Golpe de 29 de Outubro de 1945: Fim do Estado Novo e a Queda de Getúlio Vargas

Em 29 de outubro de 1945, um golpe militar depôs Getúlio Vargas, encerrando o Estado Novo e iniciando a transição para a redemocratização no Brasil. Entenda os detalhes históricos desse evento crucial.

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O Contexto do Estado Novo

O Estado Novo foi instaurado por Getúlio Vargas em 1937, após um autogolpe que anulou a Constituição de 1934. Inspirada em regimes autoritários como o de Mussolini, a nova Constituição concentrava poderes no Executivo, permitindo governar por decreto.

Durante esse período, Vargas reprimiu oposições de esquerda, como a Aliança Nacional Libertadora (ANL) e o PCB, e de direita, como a AIB integralista. Apesar disso, enviou tropas para combater os nazistas na Itália, alinhando-se aos Aliados na Segunda Guerra.

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A Pressão pela Redemocratização em 1945

Com o fim da Segunda Guerra, pressões internas e externas cresceram contra o regime. Militares, jornalistas como Carlos Lacerda e a UDN (União Democrática Nacional) exigiam eleições diretas.

Vargas iniciou uma abertura: criou o Tribunal Superior Eleitoral, legalizou partidos e prometeu eleições e nova Constituinte. No entanto, rumores de que ele planejava se manter no poder, como nomear seu irmão Benjamin Vargas, intensificaram as conspirações.

Os EUA, temendo o nacionalismo varguista – com criações como CSN e Vale do Rio Doce –, pressionaram por um governo mais alinhado.

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Os Eventos do Dia 29 de Outubro

Na noite de 28 de outubro, generais como Oswaldo Cordeiro de Farias e Eurico Gaspar Dutra conspiraram. Góes Monteiro pediu exoneração como ministro da Guerra, mas foi proclamado chefe do movimento.

Em 29 de outubro, tropas cercaram o Palácio Guanabara. Tanques apontavam para o prédio, e a guarda pessoal de Vargas foi substituída. Cordeiro de Farias e Agamenon Magalhães comunicaram a deposição, apelando ao patriotismo.

Vargas ironizou: “Preferia que me atacassem [...] Isso está mais parecido com uma ação de despejo que um golpe de Estado”. Sem apoio militar ou popular, ele renunciou pacificamente às 21h, pedindo tempo para retirar pertences.

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A Transição de Poder e Eleições

O poder foi transferido ao presidente do STF, José Linhares, que governou até janeiro de 1946. Eleições ocorreram em 1945, com Dutra eleito presidente, apoiado pelos EUA. Vargas não se candidatou.

O PCB, de Luís Carlos Prestes, surpreendeu com 10% dos votos para Yeddo Fiúza, o melhor resultado de um partido marxista na história brasileira.

Em 30 de outubro, Vargas divulgou proclamação à nação, reafirmando não pretender golpe e desejando eleições dignas.

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Legado do Golpe e o Nacionalismo Vargasista

O golpe marcou o fim da ditadura do Estado Novo e o início da Quarta República. No entanto, visões divergem: para alguns, foi imposição imperialista contra o nacionalismo; para outros, pressão democrática legítima.

Vargas retornou em 1951 eleito presidente, mas suicidou-se em 1954 sob pressões semelhantes. Seu legado inclui direitos trabalhistas e industrialização, apesar do autoritarismo.

Fatos verificados: data exata 29/10/1945, líderes como Góes Monteiro e Dutra, e transição para Linhares confirmados por fontes históricas.

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